domingo, 27 de abril de 2008

POR OUTRA EDUCAÇÃO - a consideração do indivíduo

Se um cirurgião plástico de 150 anos atrás fosse transportado para uma sala de cirurgia de hoje, ele ficaria sem saber o que fazer diante dos novos instrumentos e técnicas. Por outro lado, se um professor de um século e meio no passado chegasse a uma de nossas salas de aula, se sairia muito bem.
Numa sociedade moderna, o processo educacional não acompanhou as mudanças. A era digital e interativa está presente, mas no ensino persiste o paradigma cartesiano-positivista de divisão do conhecimento em disciplinas. A Dra. Rita Melissa Lepre, é psicóloga docente do departamento de educação da UNESP de Bauru, para ela “a multidisciplinaridade é um paradoxo porque ainda não estamos preparados para lidar com isso, ainda que o discurso esteja no nível. O que se vê são muitas escolas trabalhando com o tradicional, aula expositiva, quadro negro, giz e carteiras em fila.” A educação continua a mesma, enquanto o sujeito mudou. O século XX foi marcado por uma aproximação das crianças às tecnologias da informação – dentre essas tecnologias pôde-se encontrar conteúdos desapropriados para a faixa etária infantil.
A mudança do sujeito sem acompanhamento de uma instituição de ensino traz déficits de formação. Nesse ponto, o ensino é importante para a construção da consciência e da personalidade do indivíduo, porque é onde a criança tem maior interação social, com a cultura, com o momento histórico e com as outras pessoas. Melissa classifica a situação das escolas como um reflexo do momento atual, uma caoticidade, apesar de a educação ser um dos pólos de mudança. Ela diz que “o pós- modernismo trouxe a falta de referenciais concretos. A situação da escola é a situação da sociedade – crise de valores, pouco cuidado com o outro e ausência de cidadania. Por isso, o grande objetivo é o exercício de uma cidadania que busque a transformação social.”
Como o ser humano está continuadamente em formação, não é só nas crianças que as noções de cidadania são trabalhadas. Resoluções da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o foco tomado pelo ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) revelam preocupação com o social, com a reflexão coletiva e pensamento crítico também nos jovens. O indivíduo passa a ser visto como único, que interage com o meio e com os conhecimentos.
As grandes organizações como a UNESCO, já anunciam em seus documentos as denominações de “sociedade educativa”, a “sociedade que aprende” ou a “sociedade cognitiva” do próximo século, a busca por um saber que não seja puramente instrumental.
Marina Ricciardi

Um comentário:

Carolina Zaiat disse...

Resumo do texto de Antônio Ozaí da Silva, baseado no pensamento político- pedagógico de Maurício Tragtenberg.

- Nosso objetivo é resgatar o pensamento político- pedagógico de Tragtenberg. De um lado, a crítica incisiva que desvenda o modelo pedagógico burocrático fundado na vigilância e na punição, na relação de dominação, no saber formal transformado em mercadoria de consumo, uma pedagogia que predomina na maioria das nossas escolas e universidades. De outro, o itinerário de uma alternativa de pedagogia libertária, recuperada e sintetizada na práxis do educador contemporâneo. No final do percurso, a certeza da sua atualidade.